29.09.2017

Mercado Digital

Impacto da Amazon no e-commerce brasileiro

Descobrir como fazer da experiência de compras a mais atrativa e conveniente possível é a maior incógnita para o varejo atualmente, e os acertos e erros das líderes do mercado mundial servem como um termômetro do que virá em seguida.

No dia 19 de junho, um relatório do BTG Pactual apontou que a Amazon se preparava para aumentar sua oferta de novos produtos no Brasil no curto prazo. Algo que, se ocorresse, mudaria radicalmente a dinâmica do e-commerce brasileiro, haja vista que, mesmo a empresa não operando aqui além dos livros, vários consumidores brasileiros já são assinantes do serviço Amazon Prime.

Naquela semana, as eventuais concorrentes da Amazon listadas na B3 tiveram perdas. As ações da B2W, por exemplo, chegaram a cair 3%, as das Lojas Americanas tiveram queda de 2% e as do Magazine Luiza recuaram 4,3%.

A B2W teve um prejuízo recorde de 485 milhões de reais em 2016, o sexto consecutivo. A empresa, que já teve 55% do mercado de comércio eletrônico brasileiro em 2008, hoje tem pouco mais de 20%. Na segunda maior empresa do setor, que até outubro do ano passado operava sob o nome de Cnova, e que reúne os sites das varejistas Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, as receitas recuaram 16,3% em 2016.

Há um ano, a Amazon era responsável por cerca de 4% das vendas das maiores editoras do Brasil. Hoje, estima-se que o número tenha passado para 10%. Com redes de livrarias em crise, as próprias editoras se preparam para um cenário em que a Amazon tenha uma fatia ainda maior do mercado. A movimentação mais agressiva da empresa vem num momento de fraqueza do setor.

Mesmo estando no Brasil apenas com livros, a empresa alterou de forma significativa a dinâmica do e-commerce brasileiro. Desde 2011, o mercado já vem se adaptando para uma eventual chegada definitiva da Amazon. Várias lojas ampliaram seus modelos para marketplace inaugurando e ampliando rapidamente este conceito. Claro que não podemos menosprezar a capacidade de investimento, inovação e execução da Amazon que tirou do conforto muitos varejistas tradicionais, principalmente nos Estados Unidos.

É claro que há outras variáveis nessa equação. Isso porque empresas como a B2W e a Via Varejo, por exemplo, também trabalham dentro dessa lógica de marketplace. Ainda assim, a simples sinalização de que a Amazon pretende ir além dos livros já é motivo para que grandes marcas do varejo voltem a temer o futuro, além de se prepararem para uma bela briga pelo interesse do consumidor.

Mesmo com um mercado bastante complexo, cada movimentação da Amazon gera impacto no Brasil. Sendo assim, a tendência é que isso tudo continue causando desconforto entre as empresas de e-commerce e faça com que a concorrência aumente.

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